sexta-feira, 10 de julho de 2020

Às vezes faz falta ter com quem conversar

Publico no FB um post a respeito da opinião idiota de Lester Bangs sobre Emerson, Lake & Palmer de que a música deles presta se for pastiche, mas não presta se for séria, quando o que entra pelas orelhas, em qualquer dos casos, é a mesma coisa; e que essa idiotice é responsável pela baboseira que é falar em atitude para qualificar a música.

Amigo que parece concordar com o que digo vem e comenta que a performance do EL&P no palco, com moogs esfaqueados e o escambau, "era a postura supostamente bárbara do rock - ah, esses africanos - em necessária reação a (sic) refinada música europeia".

Espantoso. Ele entendeu o que escrevi? Que falar em postura, em atitude, é besteira? Como ele pode concordar comigo escrevendo o contrário do que eu disse? Ademais, o amigo é músico e sabe que Keith Emerson era tarado por Bach e por Ginastera, que não eram exatamente zulus. E por que diabos haveria uma reação necessária? E, necessária ou não, essa reação afinal não começou com Stravinsky e não foi adiante com Schönberg, Stockhausen e que tais?

Não dá para responder o amigo, e discutir, em rede social. Porque não é feita para isso; bate-boca em caixa de comentários é perda de energia e de sanidade. E digo bate-boca porque é nisso que a coisa desandaria: as pessoas se ofendem horrorosamente quando são corrigidas, especialmente em público (porque a rede social, afinal, é o meio da rua).

Bem, não posso tratar com o amigo dos problemas da sua má compreensão dos textos, então venho aqui desabafar, pôr por escrito o que deveria ser dito, mas que não pode ser dito porque hoje todo o mundo é dodói.

(Para não mencionar o inferno na terra que pode virar o uso da palavra zulus.)

A gente acaba solitário de tantas maneiras.

Nenhum comentário:

Postar um comentário